Página Aberta

12 fevereiro 2006

Fábulas

O cabrito e o lobo

        Da casa em que se encontrava, um cabrito viu passar um lobo. Pôs-se a insultá-lo e a escarnecer-lhe. O lobo disse, então:
        -- O insulto não vem de ti, mas do lugar onde estás.
        Muitos deixariam de ser valentes diante dos fortes se não estivessem em lugar seguro

O rio e o couro de boi

        Um rio cuja correnteza arrastava um couro de boi perguntou-lhe como se chamava.
        -- Eu me chamo dureza—respondeu o couro.
        O rio então, arremessando-se contra ele com toda a sua fúria, disse:
        -- Procura um outro nome, porque daqui a pouco estarás bem molinho.
        O infortúnio existe para dobrar os que não se vergam.


A gata e Afrodite

        Uma gata que se apaixonara por um fino rapaz pediu a Afrodite para transformá-la em mulher.Comovida por tal paixão, a deusa transformou o animal numa bela jovem. O rapaz a viu, apaixonou-se por ela e a desposou.
        Para ver se a gata havia se transformado completamente em mulher, Afrodite colocou um camundongo no quarto nupcial.Esquecendo onde estava, a bela criatura foi logo saltando do leito e pôs-se a correr atrás do ratinho para come-lo. Indignada, a deusa fê-la voltar ao que era.
        O perverso pode mudar de aparência, mas não de hábitos.


O asno e a carga de sal

        Um asno carregado de sal atravessava um rio. Um passo em falso e ei-lo dentro da água. O sal então derreteu e o asno se levantou mais leve. Ficou todo feliz. Um pouco depois, estando carregado de esponja às margens do mesmo rio, pensou que se caísse de novo ficaria mais leve e caiu de propósito nas águas. O que aconteceu? As esponjas ficaram encharcadas e, impossibilitado de se erguer, o asno morreu afogado.
        Algumas pessoas são vítimas de suas próprias artimanhas.

ESOPO, Fábulas de Esopo;tradução de Antônio Carlos Vianna. Porto Alegre:L&PM,
1997.

Textos verbais.
Textos em prosa.
Textos literários.
Modo épico ou narrativo.
Gênero: Fábula.


Exercícios
1. Fábula é uma história em que os personagens são animais, mas apresentam comportamento humano.
Releia a moral da história da fábula “O cabrito e o lobo” e faça um comentário comparando com o comportamento de alguns funcionários públicos.

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2. Releia a fábula “A gata e Afrodite”.
a)Você concorda com a observação de que certas pessoas por mais que estudem, leiam e adquiram conhecimentos não conseguem esconder suas origens, seu interior?

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b) Esopo viveu antes de Cristo e reflete nos seus escritos a cultura do seu tempo.Afrodite em grego, Vênus em latim, a deusa do amor e da beleza. Cite outros deuses.

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3. Releia “ O rio e o couro de boi”. Histórias cujos personagens são objetos são chamadas apólogos.
Comente “ Quebra quem não verga”.

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4. Complete o quadro:

5. Copie a moral da história:

Fábulas O cabrito e o lobo O asno e a carga de sal A gata e Afrodite O rio e o couro de boi

Personagens

Espaço

Tempo

Narrador

Moral da história

08 fevereiro 2006

Página de Diário

16 de maio de 1966.

        Que noite horrível! A pior da minha vida... Penso, repenso, choro, grito, urro, estapeio o travesseiro e começo tudo de novo. Tenho que fazer uma escolha. Uma escolha que só depende de mim. Alfredo e Bobby me querem. Dizem que me amam. Acho que só gostam de mim. Mas gostam bastante. Mais do que o suficiente para me fazer feliz. Não posso mais ficar neste não-sei-o-que-quero... Muito bem. Vamos lá. Enfrentar de cara. De frente. Com tudo. O que quero? Quem quero?
        Nem posso choramingar tanto. Fazer tamanha cara de coitadinha, de infeliz. Afinal tenho 16 anos e tenho dois apaixonados. De plantão. Fazendo cenas por minha causa. Quase se estapeando em público. Minhas amigas, morrendo de inveja. Me achando uma sortuda. Dois caras legais querendo me namorar firme. Por que não posso ficar com os dois? Sei muito bem por quê; portanto, vamos parar com essa bobagem.
        Alfredo não é bonito. É alto, magricela. Cara inteligente. De óculos. Tem 21 anos, é homem feito. Tem seu carro, tem dinheiro, estuda engenharia na Poli. Está no 3º ano. Bom aluno, estudioso, responsável. Ótima pessoa. O herói da minha mãe. Aliás, o herói de todas as mães do pedaço. Me acham uma louca desvairada por não estar com ele de vez.
        Bobby também não é muito bonito. Mas tem um quê especial. Um ar maroto, bem safado. Conquistador. Todo cheio de vozes, de sussurros, um sorriso de derreter. Irresistível quando quer. Desenha bonito e passa o tempo todo com seus papéis, lápis e tintas. Nem pensa em faculdade. Vive duro e sempre se vira pra conseguir algum. Consegue, quase sempre. Na minha casa não faz o menor sucesso. É tocar a campainha que torcem o nariz. Quando telefona, se pudessem, diriam que não estou. Mas quando entra, se derretem com seu charme, suas piadas. Melhor companhia não tem.
        A verdade, acho, é que não estou apaixonada por nenhum deles. Ou não sei o que é amar. Como é que a gente se sente de verdade? O que acontece por dentro e por fora? Se soubesse, não estava nesta baita indecisão. Amanhã cedinho tenho que ter a resposta.. Escolha escolhida. Ficar com um e largar o outro. Disso não tenho dúvidas. Só disso. Mas ficar com qual?
        Queria um sinal do destino. Uma pista. Vou passar a noite em claro, esperando. Por esse sinal e porque estou uma pilha de nervos. Não vou conseguir dormir de nenhum jeito... É muita aflição, muito nervoso, muito medo de errar. Faço outra vez a listinha dos prós e dos contras? Dos pontos positivos e negativos de cada um deles? Por que não? Faço.
Autor desconhecido


Texto verbal.
Texto em prosa.
Texto não literário.
Gênero:Diário.
Foco narrativo:1ª pessoa (ponto de vista interno)

Dar e receber

"Dar e receber! O equilíbrio no mundo humano e no da natureza depende disso."
(A Grande Pirâmide Revela seu Segredo, Roselis von Sass)